quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Que Matou Jesus Cristo? Parte 2

O que matou Jesus Cristo?

1.A inveja e o ódio dos religiosos – Mc.15:9-10.

Jesus de Nazaré, um homem simples,vindo de uma cidade sem importância do interior, que nunca havia passado pelas academias rabínicas, mas que manifestava sabedoria, autoridade, amor sincero e uma permanente paz. Aquilo era demais para os representantes da religião, que não admitiam que ninguém fosse feliz. Os religiosos queriam que Jesus carregasse o mesmo fardo pesado que eles colocavam sobre o povo. Quando Jesus deus mostras de que não se submeteria àquele jugo, a inveja e o ódio possuíram o coração daqueles homens.

E é assim ainda hoje: tudo começa com uma insatisfação, uma frustração, que nos induz a invejar o outro; passamos a desejar o que o outro tem, queremos viver a vida dele, queremos ser ele. O passo seguinte é o ódio pela felicidade do outro, passamos a acreditar que o outro não tem o direito de ter o que tem, ser quem é e de viver uma vida como aquela. Pronto! O pecado já fez seu trabalho e nos unimos espiritualmente àqueles que mataram Jesus por pura inveja e ódio.

Será que a inveja e o ódio têm dominado nossos corações? Temos surpreendido a nós mesmos desejando ter ou ser o que não é nosso? Temos “matado” como nossos pensamentos e atitudes?

2.A ganância de Judas Iscariotes – Mt.26:14-16

Em anos recentes, tem sido feita uma tentativa de recuperar a imagem de Judas, apresentando-o como um discípulo fiel que aceitou a missão mais difícil de todas: a de traidor de Jesus. Mas, infelizmente para os admiradores de Iscariotes, isto não vai mudar o destino eterno dele, pois ele pertenceu a uma categoria de pessoas que a Bíblia garante que não herdará o Reino dos Céus: a dos ladrões (Jo.12:4-6; I Co.6:9-10). Judas era ganancioso e nunca se deixou ser tratado deste mal. Ele aproximou-se de Jesus na expectativa e uma grande mudança, mas não no seu interior. Ele ansiava assumir alguma posição de grande destaque no novo mundo que o Messias anunciava. Mas, quando ele percebeu que os objetivos de Jesus não estavam relacionados aos poderes mundanos, ele decidiu que não iria sair no prejuízo. A partir daí ele buscou a melhor oportunidade para conseguir alguma compensação pelo tempo que “desperdiçou” com o rabino da Galiléia.

E nós? Temos sido levados por alguma ganância, um vale-tudo nas nossas relações. Quando as coisas não acontecem do modo como planejamos, temos adotado o mesmo expediente de Judas? Temos trocado o Senhor por valores deste mundo? Temos buscado os holofotes ainda que isto custe a nossa alma? Temos misturado o Reino com a politicalha deste mundo caído? Se sim, somos culpados da morte de Jesus, tanto quanto Judas.

3.A covardia de Pôncio Pilatos – Lc.23:22-24

A história de Pôncio Pilatos está repleta de eventos e situações vergonhosas: foi um governador cruel que resolvia os problemas de sua administração geralmente com violência; costumava apropriar-se do dinheiro do templo de Jerusalém e por isso vivia às turras com os líderes religiosos de Israel. Tantas foram as reclamações que o próprio imperador decidiu tira-lo da Judéia. Pilatos permaneceu apenas por que Herodes intercedeu por ele junto a o Cesar. Antes tivesse ido embora! Teria se poupado de passar para a História como um dos maiores covardes de todos os tempos. Pilatos teve a autoridade e a oportunidade para livrar Jesus, mas preferiu atender a outros interesses. Além de covarde foi extremamente negligente, já que não protegeu alguém que ele mesmo reconheceu ser inocente. A partir do momento em que ele admitiu que nada havia em Jesus digno de condenação, todos os seus atos subseqüentes foram contrários a todos os princípios da lei e da justiça.

E quanto a nós? Temos sido covardes diante de situações que nos obrigam a nos posicionarmos claramente? Temos fugido de responsabilidades porque tememos ser discriminados? Tememos ser rejeitados. Tememos ser mal-entendidos. Tememos as conseqüências de fazer o que é certo? Tememos nos identificar clara e publicamente com Cristo? Temos agido como Pilatos e “lavado nossas mãos” diante das injustiças? Se for assim, o pecado da covardia tem nos escravizado.

4.A ignorância dos soldados romanos – Lc.29:33-34

É costumeiro se dizer que “a ignorância é uma benção”. Mas a ignorância não é uma benção de modo algum! É antes um pecado, definido na lei de Deus (Lv.4:2-3; 5:17; Sl.19:12), e como todo pecado, passível de juízo. Esta foi a razão pela qual Jesus orou em favor dos soldados que o crucificaram: eles estavam na ignorância. O pecado deles era gravíssimo, pois Deus em Sua palavra proíbe qualquer um de tocar em Seu ungido (Sl.105:14-15). Davi, no período em que fugia de Saul, teve várias oportunidades de matá-lo, mas nunca o fez. Por quê? Por que ele sabia que Saul era assunto exclusivo de Deus, o qual Ele iria resolver no devido tempo (I Sm.26:7-11). Imagine só isto! Se Saul, sendo o rebelde, teimoso e desobediente que foi, desfrutava desta graça de Deus o que dizer então do verdadeiro Ungido (Cristo): Jesus! Aqueles soldados, ao pregarem Cristo na cruz incorreram em uma terrível condenação, ainda que nada soubessem acerca do homem que estavam executando.

E é assim hoje. Nossa ignorância acerca das coisas espirituais não nos isenta da responsabilidade de sabê-las. Deus em Sua palavra afirma que Suas leis são fáceis de serem encontradas (Dt.30:11-14; Pv.8:1-3), e que até um louco não erraria o caminho (Is.35:8). Somos todos indesculpáveis, pois até mesmo na Criação podemos encontrar os sinais de Deus (Rm.1:19-20). Muito de nosso sofrimento é devido à ignorância na qual nos acomodamos. Precisamos de humildade para reconhecer que não sabemos, que somos ignorantes acerca de quase tudo. Se temos nos acomodado na ignorância temos cometido pecado.

5.A sensualidade de Herodes – Lc.23:8-11

Herodes teve um privilégio que, talvez, nenhum outro rei teve: o de poder ser orientado pelos dois maiores profetas que já pisaram a Terra: João Batista e Jesus de Nazaré. Mas infelizmente ele desprezou a ambos. Por quê? Porque ele estava preso na sensualidade, na busca do prazer imediato e irresponsável. Ele, alguns anos antes já havia sido repreendido pelo batista por viver em adultério com a esposa do próprio irmão. Mas não se emendou. Preferiu antes autorizar o assassinato do profeta. E foi nesta condição depravada e endurecida que ele teve o encontro mais importante de sua vida: com Jesus. E mais uma vez ele manifestou seu caráter corrompido. Solicitou que Jesus o alegrasse com algum sinal miraculoso. E foi tudo.

Quando a sensualidade se apossa de um coração, ela o prende em um ciclo interminável de buscar sempre um prazer mais intenso. A vida fica reduzida a doses de emoção, de novidades, de prazeres intensos mas curtos. Pobre Herodes. Teve diante de si aquEle que poderia fazê-lo a pessoa mais feliz da Terra, mas optou por trocar a felicidade pelas sensações.

E quanto a nós? Porventura estamos presos em alguma cadeia de sensualidade? O que tem sido o centro de nossas motivações? Será que estamos já como Herodes, querendo de Deus apenas emoções fortes e distrações levianas? Será que temos desejado que a vida seja apenas um grande “show”? Que fiquemos isentos de dificuldades? E por isso tudo, não chegamos a perceber que ficamos escravizados ao prazer imediato. Não notamos o quanto estamos insensíveis a Deus e aos efeitos destruidores do pecado sobre nós.

6.A inconstância do povo – Mt.27:20

O que o verso citado acima tem de mais curioso é que ele descreve uma multidão que, poucos dias antes, teve outra manifestação (Mt.21:6-11). Num intervalo de poucos dias, estas pessoas passaram da adoração à acusação, do júbilo à condenação, da fé à mais terrível incredulidade! E assim são as multidões. Por isso é que nos livros de Daniel (7:2-3) e do Apocalipse (13:1) multidões são simbolizadas pelo mar, representando a massa disforme dos povos. É por isso também que o livro de Êxodo nos instrui a não seguirmos a multidão para fazer o que é mal (Ex.23:2). Estar com a maioria não garantia de se estar do lado certo. Multidões não têm vontade própria. Elas são conduzidas muitas vezes por paixões infames. São sempre facilmente dominadas por líderes perversos que as usam. Jesus mesmo, teve em Seu ministério, muitas oportunidades para cativar o coração da multidão (p.e. Jo.6), mas não o fez. Aliás Ele até fugiu destas circunstâncias. Jesus não queria (e não quer) uma multidão apaixonada após si. O que Ele busca são indivíduos comprometidos, pois Ele sabe que as multidões só podem gerar “bestas feras” (Dn.7:3; Ap.13:1). Multidões são inconstantes por natureza, e quem as segue, segue o mal.

E nós? Será que temos buscado proteção na multidão? Temos nos escondido na desculpa de que “eu faço porque todo mundo faz”? Será que temos alimentado nossa “fé” na fé das multidões? Ou, será que a frieza espiritual veio porque as multidões esfriaram? Estamos nós seguindo as multidões para fazer o que é mal?


E é isto. Cabe agora a cada um examinar seu próprio coração, para determinar o quanto cada um de nós colaborou na morte de Jesus. Ele não tinha pecados próprios pelos quais devesse pagar. Ele é o cordeiro santo. Tampouco foram os pregos que o mataram, pois Ele é a própria vida. Foi outra coisa. Foi o pecado, este terrível elemento de destruição e morte. Ele é que prendeu Cristo na cruz e O matou. E se não o removermos de nossas vidas, ele fará o mesmo com cada um de nós.

Mas Cristo ressuscitou, pois Sua santidade absoluta destruiu o poder do pecado e a vida abundante que há nEle absorveu toda morte. E Ele fez tudo isto não para Si mesmo, pois Ele não precisava. Ele o fez para nós, para que nEle pudéssemos vencer o pecado e a morte. Cabe a cada um de nós decidirmos por Ele, para não mais sermos cúmplices de Sua morte, mas participantes de Sua ressurreição.

Adaptado do livro A Cruz de Cristo (1) (2), de John Stott.

Um comentário:

Gabriel disse...

Mais do que isso, Jesus foi sacrificado por causa de nossos pecados. E este tem que ser o maior motivo de agradecer a Ele: ter se doado para nos trazer vida e redenção.